O cavalo D’ANDRADE

O Dr. Ruy D’Andrade, zoólogo, anatomista, criador de cavalos e paleontologista português, pai do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, deu início no princípio do século XX a um vasto e importante trabalho de criação e selecção de cavalos, hoje reconhecido por todos quantos vivem e apreciam o Cavalo Lusitano.

Dedicou grande parte da sua vida às raças autóctones portuguesas, como o cavalo Lusitano, o cavalo Sorraia, o garrano e o burro, sobre os quais escreveu importantes estudos. Foi a quem o estado português entregou a criação da Coudelaria Nacional, e a tutela da Coudelaria de Alter. Assim como cuidou destas duas coudelarias, aplicou também todos os seus conhecimentos para seleccionar os cavalos com que fundou a sua coudelaria. Foi esse património genético que o seu filho, o Eng. Fernando Sommer D’Andrade, herdou e continuou sabiamente, e por isso obteve muitos prémios e distinções, e criou os grandes cavalos cujo sangue continua em muitas coudelarias.

“[…] partiu de uma base morfológica sólida, procurando em seguida fixar as qualidades mais subtis.”
Baptista Coelho

“… são cavalos fortes, curtos, valentes com os touros, ardentes se provocados e calmos se não excitados, velozes na corrida e rápidos nas voltas e de bom passo, finos à espora, submissos de boa boca, infindáveis, resistentes a tudo…” 
Dr. Ruy D’Andrade

Os Andrades, como são conhecidos os cavalos da coudelaria do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, são assim fruto de muita dedicação e saber, seleccionados com critérios de excelência, apreciados pela sua estatura e andamentos, pelas suas formas, pelo seu temperamento e pelas suas múltiplas aptidões às diversas disciplinas de equitação, como o ensino, o toureio, os saltos, e mais recentemente a equitação de trabalho.

A Coudelaria D’Andrade é um símbolo e um marco na história da criação do Cavalo Lusitano.

Em 1991, após a morte do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, a sua coudelaria é repartida pelos seus quatro filhos. Maria D’Andrade de Oliveira e Sousa, a mais nova dos quatro, mantém na sua exploração da Herdade da Agolada de Baixo, em Coruche, as éguas e os cavalos que lhe couberam, bem como a respectiva descendência, a qual, numa filosofia de manutenção da “pureza” dos Andrades, tem sido obtida com recurso a garanhões deste sangue, como o Curul, o Farsante, o Dayak e o Oboé, filho e netos do Martini, o Galan, filho do Dragão, o Faneca e o Marujo, filho e neto do Zamorim.

São cavalos fortes, resistentes, muito inteligentes e extremamente versáteis. São nobres no maneio e generosos no trabalho que lhes é pedido.

É uma coudelaria com uma forte raiz, que procura afirmar-se no presente com o valor do seu prestigiado passado.